Resenha: Um Cântico de Natal, de Charles Dickens

Comecei 2017 com um clássico que deveria ser lido no Natal, mas como eu sou a rainha da procrastinação, cá estamos nós. Esta obra já foi citada aqui, quando falei do filme "Barbie em A Canção de Natal", inspirado nela. Podemos ver referências suas também em vários outros desenhos e filmes da cultura popular, então certamente vocês já conhecem o enredo, pelo menos um pouquinho.

"Um Cântico de Natal", do inglês Charles Dickens, narra a história do avarento e impiedoso Ebenezer Scrooge, proprietário de uma casa de contabilidade, pela qual dedica sua vida. Ele é um péssimo empregador, mantendo seus empregados no frio para evitar gastos com aquecedor e sob péssimas condições de trabalho, como o seu escriturário, o pobre Bob Cratchit.

Na véspera de Natal, Scrooge é assombrado pelo fantasma do seu sócio e único amigo, Jacob Marley, que aparece com várias correntes e afirma estar reservado o mesmo destino ao amigo caso não mude de comportamento, pois são as correntes construídas em vida que o aprisionam no tormento do limbo. Para isso, três fantasmas (ou "espíritos natalinos") lhe aparecerão, para levá-lo à reflexão sobre a vida e o espírito de Natal, são eles: o Fantasma dos Natais Passados, o Fantasma do Natal Presente e o Fantasma do Natal Futuro.


O primeiro dos espíritos o leva aos seus natais passados, desde a infância solitária até a separação do antigo amor. Diante da infância sofrida, porém imaginativa, o velho Scrooge demonstra até certa inveja de quem foi, e diante do diálogo com a amada, que amolece o coração até do mais duro dos homens, ele se sentiu quase torturado. O segundo espírito mostra a Scrooge uma realidade que ele desprezava, mas não conhecia: uma ceia de Natal numa família pobre. Mesmo acreditando que a miséria poderia sacrificar pessoas em nome da redução populacional, ele se chocou com o amor compartilhado de uma família em necessidade e com uma criança doente, a do seu escriturário Bob. Também presenciou a ceia da sua família que, mesmo magoada com suas atitudes, ainda brindam a ele. O terceiro e último espírito, não preciso nem falar, é o que amedronta Scrooge ao conduzi-lo por um futuro miserável, sombrio, solitário e certamente seu. Todos esses espíritos constantemente usam das palavras insensíveis que ele sempre repete para limpar a sua consciência e apontar a crueldade delas diante das situações reais. São verdadeiros tapas na nossa cara também, pois somos um pouco de Scrooge quando lemos a história, não só por adentrarmos no personagem, mas porque ele representa a miséria humana da qual fazemos parte.

Antigamente, eu tinha a impressão de que a história tratava de maneira simples demais o ato de adotar uma nova postura, pois o protagonista estava diante de um iminente sofrimento e era óbvio tentar evitar aquilo, mas é um pensamento muito limitado, pois Scrooge começa a perceber a realidade a partir do primeiro momento e mesmo que não percebesse, que apenas a ideia de sofrer o amedrontasse, é assim que as coisas são. São nesses momentos de desespero e paixão que encontramos força para mudar, não só por nós mesmos, mas por todas aquelas pessoas as quais atingimos com a nossa falta de caridade. É no sofrimento que crescemos.

Com este belíssimo clássico da literatura inglesa, percebemos também que todas aquelas críticas ao capitalismo que atribuem a Dickens não são suficientes para a grandeza da sua obra. Todas as críticas sociais são partes do seu trabalho, com certeza, mas não o centro dele. Tais críticas, no máximo, transformariam Scrooge de um pão-duro ranzinza a um rabugento politiqueiro, mas os espíritos não pretendiam isso, queriam ir além de uma realidade política para uma realidade transcendental, que o levaria a uma vida nova de beleza, virtude e amor.

Certamente é um livro perfeito para o tempo de Natal, em que Jesus nasce e, com Ele, a esperança de vida eterna e plena, mas também diz muito sobre o Ano Novo. Que façamos deste ano uma chance de fazer diferente, de crescer e o que preciso for para salvar a nossa alma e a vida e alma do irmão.

Comprei essa edição bilíngue da Landmark na Saraiva, por um preço muito bom, quase de graça, rsrs. E ele ainda continua, corram!

10 comentários:

  1. Ai que resenha mais linda! Amei a capa, vou dar mais algumas pesquisadas a respeito do livro! Sucesso Anjo <3

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  2. Caramba, estou sem palavras, você resenha muito bem, tem boas reflexões! Eu não conhecia esse livro mas ele me chamou muito a atenção, parece ser muito bom e a capa é lindíssima ❤

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    1. Nossa, muito obrigada, Suzane! Procure o livro, é um clássico maravilhoso, não vai se arrepender. <3

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  3. Que lindo! Tenho muita vontade de ler. Adoro livros com esse assunto.
    Beijos!

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  4. Sempre tive interesse em ler este livro!com a tua resenha fiquei muito mais interessada em ler.parabéns

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    1. Own, fiquei feliz! Leia mesmo, vai amar. Beijos!

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  5. Adorei sua resenha e ainda não conhecia o livro, é uma história muito fofa.♥
    Art of life and books

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