Resenha: O outro lado do feminismo, de Phyllis Schlafly e Suzanne Venker

Eu sou uma antifeminista convicta, basta quinze minutos de conversa comigo para perceber isso. Até me considerar uma, percorri um longo caminho (não TÃO longo assim, já que só tenho 19 anos) de leitura e reflexão. É certo que sou conservadora por natureza, isso influencia muito, e, mesmo com todo o esforço contrário do meio escolar, universitário e midiático, não sofri muitas influências feministas em minha vida - nessas horas eu agradeço pela minha teimosia e personalidade forte, pois sempre me deixaram com um pé atrás diante dessas promessas de "salvação terrena" -, mas o estudo é requisito indispensável se há intenção de dar palpite por aí sobre qualquer assunto.

Quando achei que não podia odiar mais a ideologia feminista, a Editora Simonsen surge com a importantíssima obra de Suzanne Venker e Phyllis Schlafly, O outro lado do feminismo, repleta de argumentos fascinantes que me mostraram mais ainda o perigo do discurso feminista para as mulheres, homens, crianças, famílias e futuro, bem como a presença dele em lugares que eu sequer havia percebido.

Antes de qualquer coisa, é importante ressaltar que o livro é lindo demais, por fora e dentro, a capa destaca-se em qualquer prateleira e a edição ficou muito agradável. Com frases de diversos autores antes de cada capítulo, apêndices importantíssimos e argumentos impecáveis, O outro lado do feminismo, mesmo pequeno e simples, é uma obra riquíssima. Se você se preocupa com o assunto e tem interesse em descobrir onde o feminismo se encaixa - ou não - em sua vida, se ele merece crédito pela liberdade que as mulheres têm hoje ou é realmente dividido em três categorias (primeira, segunda e terceira onda), essa leitura é indispensável.


Suzanne Venker compartilha um pouco da sua história na introdução: Em meio a um ambiente já rodeado de discurso progressista e feminista, ela preservava outros valores graças à influência familiar, principalmente dos seus pais, que vieram da chamada "grande geração" (pessoas que passaram pela Grande Depressão). Isso modifica tudo numa sociedade repleta de mimados desacostumados com a dificuldade. Com isso, Suzanne se diferenciava das suas colegas em vários aspectos, como: enquanto elas não consideravam casamento e maternidade como plano de vida, este seria o centro da sua. E apesar de saber que precisaria trabalhar fora, jamais quis a carreira como razão da sua vida. Eu me vi nela aqui, e percebi que mulheres ainda, e mais ainda, hoje são vistas com desprezo por não terem um trabalho bem sucessido como meta maior da vida. Sobre isso, a autora faz uma pergunta muito pertinente: "quando se trata de independência das mulheres, onde o conservadorismo se encaixa?" Se refletirmos, fica claro que mulheres conservadoras não têm vez no feminismo, porque este não diz respeito a elas, invalidando a ideia de feminismo como movimento das mulheres. O próprio livro responde: "O movimento feminista nunca foi a favor de todas as mulheres, apenas das liberais. Não foi idealizado para criar condições de igualdade, e sim para reorganizar a sociedade a fim de tornar a vida mais conveniente para as feministas. O movimento foi idealizado 'para mudar o discurso, o tempo e a natureza do mundo'." Se tudo segue para que feministas consigam exatamente o que querem, seja qual for o custo para suas famílias, e mulheres conservadoras sequer podem dizer que o são sem serem achincalhadas, então não, o feminismo não luta pelas mulheres. E para completar, Suzanne tem como tia ninguém menos que a Phyllis Schlafly, nossa outra autora e a mais importante antifeminista do século passado, conhecida pela luta contra a Emenda dos Direitos Iguais (1970). Phyllis é uma mulher forte, corajosa e destemida, enfrentou a fúria da mídia e das feministas praticamente sozinha e, com isso, foi impossível não ter grande influência sobre Venker. Antes que vocês se assustem pela resistência a uma emenda com o nome tão bonitinho, ela esclarece: "As feministas atuam assim: elas usam uma terminologia favorável -  direitos das mulheres, direito de reprodução, violência contra as mulheres - para atrair a comoção das pessoas e marginalizar aqueles que discordam, fazendo-os parecer atrasados ou provincianos". Ao longo do texto, voltarei ao assunto da emenda. Vamos lá!

A princípio, o livro pontifica onde o discurso feminista age - universidade, mídia, paletras, cursos e eventos sobre o "movimento das mulheres" etc. -, de modo a convencer a sociedade e as próprias mulheres de que estas sofrem opressão e que podem ser libertadas mediante o seguimento da agenda progressista. A maioria das mulheres são atraídas por esses jargões aparentemente agradáveis e, ao contrário, são confundidas, fazendo-as sentir-se em conflito consigo mesmas e a sociedade, quando elas só queriam ouvir sobre casamento, maternidade, trabalho, estudo e conquistas das mulheres. A confusão se instaurou tão profundamente na mente dos americanos (o que se estende aos brasileiros também), que, hoje, "acreditam que para o progresso existir é necessária a libertação das mulheres - libertar-se dos homens, dos filhos, dos conceitos da sociedade, de quase tudo que faça a mulher se sentir moralmente obrigada a alguém ou alguma coisa que não seja ela mesma". Como difundem isso sem causar espanto nas pessoas que consideram o feminismo um movimento radical? Simples, abandonaram o termo "feminista". Ao fazer isso, fazem com que a sua agenda seja convencional e que pareçam mais racionais que as feministas extremistas (da chamada terceira onda), tornando-as muito mais perigosas que estas. É por isso que muita gente pensa que o feminismo morreu e só sobraram alguns resquícios em ativistas malucas que não são levadas a sério pelo cidadão comum, mas o livro explica: "O feminismo e as feministas não desaparecem só porque não fazem mais passeatas nas ruas. Elas simplesmente se livraram dos protestos barulhentos e se transformaram na essência da sociedade."

Na década de 60, a revolução contracultural pregava ser a continuação daquilo que começou com as sufragistas, e até hoje as difusoras do feminismo acreditam nisso e se vangloriam pelas conquistas de mulheres que se baseavam na família e jamais quiseram erradicar a natureza feminina. Na verdade, o feminismo possui pautas político-ideológicas muito específicas, de origem marxista, e visam à reestruturação da sociedade que, segundo elas, oprime as mulheres. Muito mais do que igualdade, querem um novo mundo onde elas possam realizar todas as suas vontades. Isso fica claro com o exemplo de Betty Friedan, autora do livro Mística Feminina, que teve muitos problemas familiares ao longo da vida e vivia em um casamento desastroso, numa vida doméstica opressiva de verdade. Ao invés de tentar solucionar seus problemas pessoais, ela produziu uma obra que acusava a sociedade de todos os males das "donas de casa entendiadas", o que atraiu mais e mais mulheres que preferiam culpar os outros em vez de buscar a solução para seus próprios problemas interiores - e ajudar outras mulheres a fazê-lo também. E assim aconteceu com Virginia Woolf, Gloria Steinem, Simone de Beauvoir e muitas outras. É muito mais fácil evitar responsabilidades, na maternidade, família e vida pessoal, criando um problema social do que encarando a ideia de que é possível ser feliz com o sacrifício. E isso sobra para quem? As crianças, sobretudo, pois criou-se uma onda interessada no que as mulheres querem, e não no que as crianças precisam, enquanto filhas. Além de um problema social, isso é um problema extremamente moral, pois sempre fez parte da natureza humana a ideia de que as pessoas são responsáveis por suas próprias crias, é o mínimo. Essa é a geração da Emenda dos Direitos Iguais (ERA).

*Betty Friedan.

Foi aqui onde a Phyllis Schlafly tornou-se tão influente nos Estados Unidos, pois ela liderou, ao lado de mais algumas mulheres, o Stop ERA. O que parecia ser uma guerra invencível (Direitos Iguais é uma terminologia boa, não?) deu uma reviravolta quando essas corajosas mulheres invadiram a mídia e mostraram a fraude que era a Emenda que afirmava inserir a mulher na Constituição. Ao contrário das entusiastas da ERA, elas leram a Constituição americana e sabiam que ela era totalmente neutra em questão de sexo e que a emenda tiraria das mulheres muitos dos seus direitos, como não ser obrigada ao alistamento militar e o direito (direito, não dever) de ser sustentada pelo marido. Os americanos viram, aos poucos, que visavam à legalização do aborto, as pautas LGBT e mais dezenas de ideais de esquerda, muito diferente dos direitos das mulheres, pelos quais diziam lutar. Com isso, o movimento conservador ganhou força e voz e impediu a Emenda dos Direitos Iguais, o que não significa o fim do sucesso feminista na missão de "transformar radicalmente os Estados Unidos", este veio a ser praticamente o projeto de governo de Barack Obama depois.

Ao longo do livro, as autoras mostram como as feministas estão em estado de negação à própria natureza, por meio de três princípios que impregnaram em nossa sociedade: as feministas estão aprisionadas pela visão negativa sobre a mulher e seu lugar no mundo; entre todas as injustiças perpetuadas sobre as mulheres (perpetuadas por quem? Deus?) ao longo dos séculos, a mais opressiva é que as mulheres podem gerar filhos e os homens não; e não existe diferença entre homens e mulheres exceto por seus órgãos sexuais. Ao negar sua própria natureza, as mulheres caminham para longe da racionalidade e de qualquer resposta para como e por que as coisas são como são para nós. Outro ponto importante é a insistência em afirmar que as mulheres são discriminadas no local de trabalho, de modo a atrair as americanas com a ideia de independência e sucesso na carreira; acontece que há muito espaço no topo, a questão é que as mulheres não recebem tanto quanto os homens porque "a maioria não tem vontade de levar a vida exigida pela maioria dos cargos bem remunerados". Seja na política ou em qualquer outro lugar, a maioria das mulheres não querem deixar tudo para trás para dedicarem suas vidas as trabalho, e são felizes assim, com seus trabalhos de meio período, filhos ou mesmo sustentadas pelo marido - para o desgosto das feministas. "A profissão deveria ser a cereja do bolo, não o bolo todo", brincam acertadamente as autoras. Além disso, o livro esclarece os reais motivos pelos quais as mulheres precisaram trabalhar fora, o que não é "mérito" algum das feministas, que, pelo contrário, só tornaram essa exigência exterior ainda mais difícil para as mulheres.

Em meio ao caos gerado pelo pensamento feminista, talvez o mais prejudicial às mulheres tenha sido o de que devem fazer sexo com quantos parceiros sexuais puderem. Ao fomentar o sexo casual e ignorar qualquer valor relacionado ao sexo, este deixa de ser algo virtuoso (valor preservado durante séculos e violado como num passe de mágica pela revolução sexual de 30) e a decepção ainda sobra para as mulheres, que esperam mais dele, querendo as feministas ou não. É o que a Dra. Grossman relata no livro: "As personagens de Friends e Sex in the City não são reais. Na vida real, Phoebe teria herpes e Carrie teria verrugas genitais". Na ilusão de que poderiam fazer sexo e depois o amor do parceiro viria ou que o "amor livre" é natural e saudável, a garota americana normal se subverte e isso traz graves consequências para os casamentos e continua adiante. O livro elenca algumas: 1) homens e mulheres têm sido criados em uma cultura que se recusa a aceitar a natureza única de machos e fêmeas, assim, suas relações carregam tensão e conflitos desnecessários; 2) a maioria dos jovens está sendo afetada de forma direta ou indireta pelo divórcio, o que resulta numa falta de confiança no casamento, que, por sua vez, resulta em mais divórcios. Por isso que o casamento se esquiva cada vez mais da geração moderna, mas seus propósitos e benefícios continuam intactos, assim como o desejo das pessoas por ele. O problema nunca foi o casamento em si, enquanto instituição, mas a imaturidade das pessoas em saber lidar com o que ele requer delas. A mudança, no entanto, é possível, e deve partir da nossa atitude, a começar pela aceitação de que homens e mulheres são, sim, diferentes e pela compreensão acerca do nosso papel no mundo e, em consequência, na vida conjugal. É fundamental também que nos atentemos à importância de escolher bem o cônjuge; muitas vezes, deixamos de escolher o que é certo para satisfazermos às nossas vontades efêmeras, mas o certo deve ser buscado a todo custo, e a felicidade vem por consequência.


As 'mulheres da mídia' também fazem um trabalho capcioso quando o assunto é mulheres trabalhadoras (e aqui o livro se refere às de tempo integral, que terceirizam seu papel de mãe a babás e creches). Não só mentem sobre uma suposta multitarefa que as mulheres conseguem fazer, como são incapazes de refletir sobre o bem-estar dos fillhos em paralelo à sua ausência em casa. Como sempre, tudo começa com a dificuldade delas em encarar a realidade. Resultado: as crianças foram praticamente jogadas a esmo, para se virar por conta própria quando o assunto é saúde, educação, moralidade e suas reais necessidades. "As feministas querem que você pense que a razão das mães no passado não fazerem o que as mães de hoje fazem é porque as mulheres eram oprimidas. Mas a verdadeira razão das mulheres terem planejado suas vidas da maneira que planejaram é porque elas eram menos focadas em si mesmas e mais preocupadas com o bem maior, e parte do bem maior se referia a assumir a responsabilidade de ter filho". Surgiu, com isso, um remorso sem tamanho para essas mulheres, estampado nas capas de revistas, livros e guias para conciliar todas as funções da mulher moderna. Ela está se afundando, e 'até que perceba que o remorso é a voz da consciência, continuará a afundar cada vez mais fundo'. A culpa disso é toda das mulheres? Claro que não, elas têm as bênção da sociedade e foram criadas em uma cultura de relativização moral que as fazem ignorar a consciência. O livro sugere a "sequenciação", que significa planejar o futuro, em algumas fases: fazer uma escolha inteligente da carreira, planejar a vida perto da família de origem assim que tiverem filhos, não "esbanjar" antes de casar e escolher um marido que trabalhe em tempo integral num emprego adequado às necessidades da família. Além disso, é indispensável que as mulheres conheçam o que há por trás da terceirização da criação dos filhos por meio das creches, o livro desmistifica tudo o que se diz a respeito e mostra que o tempo, dinheiro e energia gasto com creches poderia ser usado para fortalecer a família americana.

Como toda ideologia progressista, o feminismo é estatista por natureza, não perde a oportunidade de jogar seus problemas para o "Deus-Estado" resolver. Desse modo, muitos dos seus ideias tornaram-se planos de governo, como já foi dito aqui, de forma que: 1) o financiamento de creches aumentou, e o livro mostra como isso não ajuda as crianças, apenas serve para facilitar a vida dos pais; 2) os processos judiciais sobre questões de diferenças salariais viraram refúgio, já que basta afirmar que mulheres ganham menos que homens, sem explicar o porquê, o que é uma baita ignorância, pois, em regra, homens trabalham mais horas por semana, exercem trabalhos mais arriscados, em locais menos desejáveis, em condições de trabalho menos agradáveis e fazem treinamento mais técnico do que mulheres, que, em sua maioria, trocam com alegria promoções profissionais por mais tempo com a família, mas nada disso importa para a agenda feminista; 3) as políticas de casamento tornaram o governo do Grande Irmão o sustento das despesas de mães solteiras (mas o homem sustentar a casa é tudo fruto de uma conspiração machista, né?), e isso pode ser confirmado pelo documento de John Podesta, por exemplo, apresentado em alguns de seus itens por Venker e Schlafly.

Mas não podia ficar de fora o principal alvo da ladainha feminista: o homem. "Em apenas poucas décadas, as mulheres americanas conseguiram rebaixar os homens de provedores e protetores respeitados a um ser desnecessário, irrelevante e dispensável", como nas palavras de Jennifer Aniston para a revista People, em 2010, "Eu não preciso de um homem para ser mãe". Desde o jardim de infância, os meninos são ensinados a reprimir seu comportamento masculino, em um processo assustador de feminização e fuga de sua natureza. Na juventude, até os esportes tiveram de se adequar às teorias feministas para não haver "opressão" devido ao senso de competitividade masculino. O delírio é tão grande que os esportes universitários deveriam ser obrigatórios para as mulheres, mesmo a maioria não querendo praticá-los. E não é só isso: encontros entre homens e mulheres tornaram-se arriscados, qualquer palavra masculina deve ser prévia e repetidamente calculada para não "ofender" e ser acusado de "machista" ou mesmo "estuprador". Assim, os relacionamentos se dificultaram e mesmo o incetivo dos homens ao casamento se foi, pois a ideia de sexo à vontade e morar junto se difundiu de tal maneira que a regra agora é essa. "As feministas não sabem o que querem. Elas lutam para se protegerem contra os próprios erros, mas em contrapartida, lutam pela liberdade de cometer esses erros. Elas querem liberdade sexual, mas também o poder de punir o homem quando mudarem de ideia." Em decorrência de tudo isso, não é de se espantar que muitos casamentos perderam o sentido, começou uma guerra no lar, mais precisamente contra o pai, e o divórcio unilateral virou rotina. Todos esses males vão influenciando os filhos, depois toda uma geração estará no caos, e só Deus sabe onde vai parar. Mas como poderíamos ajudá-los (nossos filhos) a lidar com esse mundo injusto criado pelas feministas? Voltar às nossas raízes morais é um bom começo, pois só com coragem, honra e inteligência é possível perceber essa situação e fazer diferente.

Por último, é importante encontrar um novo caminho para as mulheres, visto que o feminismo só trouxe mal para a sociedade, e retirar as jovens mulheres, criadas para se sentirem em conflito, desse barco afundando. Entender a natureza humara é crucial para isso, não negá-la. "Devemos parar de falar sobre direitos das mulheres, as necessidades das mulheres, os problemas das mulheres e o avanço das mulheres. Devemos parar de falar sobre o poder feminino, sobre o aumento do poder das mulheres e sobre a destruição de um patriarcado que não existe. Quando armamos o debate sobre o jargão feminista, promovemos uma guerra entre os sexos. É hora de acabar com a guerra entre os sexos. Os homens não são inimigos." Senão a começar pela volta ao respeito mútuo entre os sexos, qualquer tentativa de avanço cultural é inútil. Isso é extremamente difícil, pois requer o abandono de crenças incutidas em nós há décadas, mas precisamos refletir sobre o assunto. Se o patriarcado começou a ser derrubado pelo movimento de libertação das mulheres, por que o mundo está cada vez pior para o cidadão comum? Por que as crianças estão cada vez mais revoltadas? Por que o conflito entre os sexos tira cada vez mais a paz nas famílias? Por que as mulheres não estão mais felizes, pelo contrário? A solução começa no que os filósofos concluíram há muitos e muitos séculos: Todos têm potencial para uma vida feliz, e só seremos felizes quando assim o quisermos.

*Frederick Cotman, 1880.

"Rejeitar o feminismo significa rejeitar a igualdade das mulheres? Não, pois o feminismo não se trata disso. Rejeitar o feminismo significa reconhecer que as mulheres não precisam do feminismo para torná-las iguais aos homens, porque homens e mulheres já são iguais - só não são a mesma coisa. Rejeitar o feminismo significa rejeitar a libertação das mulheres? Sim, se a libertação consistir em libertar as mulheres do casamento e da maternidade. Aprendemos da pior forma que não há nada de fortalecedor em ignorar a biologia de um ser."

Disseram-me que só a luta é capaz de mudar alguma coisa, mas a visão de luta dessas pessoas está distorcida ao reduzi-la somente a greves, mutirões e passeatas; disseram-me que uma mulher forte pode mover montanhas, mas não aguentam nem o peso que é assumir as próprias responsabilidades sem culpar um fator externo e abstrato; disseram-me que o amor é revolucionário, mas são capazes de vitimar suas famílias em prol de seus próprios prazeres; dizem que feminismo é se sacrificar por um ideal, mas não é sacrifício se seu maior objetivo é afagar o próprio ego. O mundo não precisa de luta, revolução e força de quem sequer entende o que essas coisas são, o mundo precisa de pessoas sensatas, compreensivas e capazes de encontrar seu lugar na vida.




Se o que escrevi aqui te fez refletir um pouco, não perca tempo, leia o livro, ele vai MUITO além de tudo o que foi foi dito aqui.
Você pode encontrá-lo em: http://produto.mercadolivre.com.br/MLB-715459962-livro-o-outro-lado-do-feminismo-_JM, bem como nas livrarias Cultura e Saraiva.

Dica de filme: Bonequinha de Luxo (Breakfast at Tiffany's)

Provavelmente você já ouviu falar desse clássico do cinema, e se ainda não viu, não perca tempo: veja agora mesmo!


Bonequinha de Luxo é um filme estadunidense de 1961, dirigido por Blake Edwards e estrelado por Audrey Hepburn e George Peppard. Ele conta a história de Holly Golightly, uma acompanhante de luxo que mudou-se para Nova York a fim de virar um atriz famosa e casar com um homem rico. Devido às circunstâncias, ela passa a receber dinheiro em troca de visitar, nas quintas-feiras, o mafioso Sally Tomato na prisão. Apesar de considerar-se um ser livre e selvagem, seus planos mudam de direção após conhecer o escritor Paul Varjak.

Não tenho o intuito de dar spoilers, então sem mais detalhes sobre o filme, mas deixarei aqui um pouco do seu impacto sobre mim.


Por mais que o filme seja uma comédia dramática que retrata a vida de Golightly, tive a impressão de que ele fala muito mais sobre prisões interiores. Holly tinha uma falsa ideia de liberdade, achava que criaturas selvagens como ela não deveriam manter laços, se prender de verdade a algo ou alguém ou mesmo se apaixonar. Nessa ilusão, ela criou suas próprias correntes e afastou de si a felicidade.

Não existe prisão pior do que se enclausurar nas profundezas da alma. Quando criamos nossa própria jaula, evitamos vínculos e responsabilidades e, no fim, acabamos infelizes e culpando um fator externo pelas nossas mazelas. As pessoas se relacionam, amam e são amadas, constroem algo e isso não tira a sua liberdade, pelo contrário, dá asas para nos libertar do cativeiro que é viver somente para nós mesmos.

Ao longo do filme, o que se vê é uma história clichê e bobinha, mas o final traz um dos sermões mais lindos que já vi no cinema, no qual Paul realmente deixa Holly sem palavras e nós, espectadores, com algo para refletir.


Além disso, a atuação da belíssima Audrey Hepburn é impecável, oferecendo-nos uma personagem ingênua, doce e engraçada; e a trilha sonora, então, nem se fala, a cena em que Holly canta "Moon River", de Henry Mancini, é clássica, por isso venceu em duas categorias no Oscar - melhor canção original e melhor trilha sonora. Por fim, se fosse descrever o filme em uma palavra, seria esta: belo. É isso que encanta no filme, sua beleza que emociona e sensibiliza, então, embora não seja uma história cheia de reviravoltas e surpresas, é maravilhosa pela maneira que é contada. 



PS: Você pode encontrar este filme na Netflix.
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