O Ocidente pede socorro: por que nos recusamos a ouvir?

Há séculos, a Europa sofria massacres e invasões de povos bárbaros, foi dominada por uma cultura de iniquidade e terror. Sem hesitar, homens corajosos enfrentaram a ira daqueles que invadiam suas terras, estupravam suas mulheres, degolavam seus companheiros e aniquilavam seu povo. Homens considerados pelo sentimentalismo moderno como rudes e insensíveis não suportaram ver os seus sofrerem ameaça e violência e jamais seguiriam suas vidas sabendo que sua civilização ruía perante a barbaridade humana. Hoje, no que acham ser o auge da humanidade humanizadora, nós sequer movemos um dedo diante do verdadeiro ódio e intolerância contra tudo o que nossos antepassados lutaram para construir. O choque não passa de dois minutos. Nossa vida segue. Esquecemos.

Quando se quer ensinar aos humanos o que é humanidade e os que são direitos do homem, mas é incapaz de se sensibilizar de verdade diante do sofrimento alheio, é incapaz de se sacrificar em prol de um bem maior, aí já nos encaminhamos para bem longe da caridade, da bondade, da compaixão e de tudo o que nos faz ser humanos, verdadeiros e dignos humanos. Falam em paz, acusam os discursos de "ódio", gritam por um mundo novo... A ação, porém, não passa de militância e falatório que não chegam a fazer efeito nem nas relações com o próximo ao lado.

É necessário, antes, aprender a abdicar de si mesmo para salvar os irmãos, da morte de corpo e alma. É necessário compreender a situação em que o Ocidente se encontra e o que se está disposto a fazer para mudá-la. É necessário encontrar O caminho para a verdadeira paz. Afinal, onde está a razão de quem prega a paz, mas acha que não se deve lutar por ela?


*Imagem retirada do We Heart It.

Resenha: Elogio da Leitura, de Mario Vargas Llosa

Quão maravilhosas são aquelas leituras que fazemos de um fôlego só! Elogio da Leitura, do peruano Mario Vargas Llosa, é uma delas. Sempre busquei entender por que a literatura é tão importante para mim e por que eu sabia o quanto muitas pessoas estavam perdendo por não apreciá-la. No fundo, eu sempre chegava à conclusão de que, por meio dela, eu entendia a alma humana, mas foi agora, ao término desta leitura, que eu encontrei respostas mais completas aos meios anseios interiores. Sendo amante da literatura ou somente alguém que se questiona qual a razão de se gastar tanto tempo com ela, o pequeno-grande livro do Vargas Llosa pode ser um tesouro para você.

"A leitura transformava os sonhos em vida e a vida em sonhos e colocava o universo da literatura ao alcance do pedacinho de gente que eu era." Essa foi a mesma sensação que eu senti quando, voluntária e conscientemente, decidi ler As Crônicas de Nárnia pela primeira vez. A vida e sonho, como mistura mágica, vão ao encontro dos pequenos por meio da disposição à leitura. Eis por que, desde criança, tal como Llosa e não tanto tal como eu (só comecei a ler com gosto a partir dos 13 anos, infelizmente), é importante passar por isso, não existe melhor fase para unirmos vida e sonho e, assim, desenvolvermos nosso imaginário. 

Tendo consciência disso, Mario não parou na leitura, avançou para a escrita logo cedo e nos releva em sua obra o vício e a maravilha que é escrever: "é criar uma vida paralela onde podemos nos refugiar contra a adversidade, que torna natural o extraordinário e extraordinário o natural, que dissipa o caos, torna belo o feio, eterniza o momento e torna a morte um espetáculo passageiro." Ao escrever, é possível se ir além do além que é ler, pois nós mesmos podemos trazer sonhos à vida e vida aos nossos sonhos, nós mesmos podemos eternizar, transformar e tornar passageira a realidade que nos cerca. Para tanto, Mário precisou de disciplina e paciência, bem como da influência dos grandes mestres, tais como Flaubert, Faulkner, Tolstói, Mann, Orwell e tantos outros, até chegar à magnitude que é a literatura. A lista foi incontável para Llosa e pode ser para qualquer de nós, pois mentes grandiosas na literatura não faltam e eles têm a oferecer o infinito. "Além de me revelarem os segredos do trabalho narrativo, eles me fizeram explorar os abismos do ser humano, admirar suas façanhas e me horrorizar com suas loucuras. Eles foram os amigos mais prestativos, aqueles que alimentaram minha vocação e em cujos livros eu descobri que, mesmo nas piores circunstâncias, há esperança e vale a pena viver, nem que seja porque sem a vida não podemos ler nem imaginar histórias." Se na vida eu só pudesse fazer uma coisa - desfrutar de bons livros -, eu digo com toda a certeza do mundo: ela já valeria muito a pena.

A consciência de que lemos porque esta vida não nos é suficiente é o primeiro passo para compreender a importância disso na nossa vida. Se o que temos aqui não basta, o homem precisa de meios para transcender. "Seríamos piores do que somos sem os bons livros que lemos, mais conformistas, menos inquietos e insubmissos, e o espírito crítico, motor do progresso, sequer existiria. Assim como escrever, ler é protestar contra as insuficiências da vida." Foi por meio da literatura que o homem progrediu ao longo dos milênios, foi criando histórias, contando-as e recontando-as que o homem protestou contra o que não lhe era suficiente e, com isso, elevou o nosso padrão de vida, de satisfatoriedade, de conhecimento. Se não impulsionarmos a literatura, a nossa realidade estagna, ficamos conformados com o progresso alcançado e paramos nele. Isso é retroceder, a literatura nos leva além. Ela não se torna inútil quando finalmente atingimos nosso "padrão", este, contudo, muda à medida em que imaginamos e esperamos mais. A literatura é uma forma de sempre irmos além - além da realidade, além da vida, além de nós mesmos.

Por conceber a literatura desse modo, Llosa entende que ela une os homens, independentemente da língua, religião ou ideologia, pois, em qualquer lugar e em qualquer tempo, ela trata do mesmo objeto, a alma humana, e simula a vida bela e perfeita que sonhamos, "aquela que só podemos merecer ao inventá-la, escrevê-la e lê-la". Assim, a literatura é incompatível com a ditadura e extremismos, pois requer crítica e inquietude das pessoas, tudo o que não pode existir para uma tirania perdurar. Isso me fez lembrar de uma distopia incrível de Ray Bradbury, Fahrenheit 451, em que os livros eram queimados pelo governo e ler, um ato de rebeldia. Bem como é hoje, dada a falta de incetivo à leitura por parte dos meios de influência na sociedade. Voltando ao livro... Llosa compartilha, então, a sua visão de mundo acerca das políticas tiranas que afligiram a humanidade, mais precisamente a América Latina. Mas foi por meio de suas viagens pelo mundo que ele enxergou mais que populismo e problemas sociais em sua terra de origem, percebeu toda a sua riqueza cultural, linguística e o quanto estava progredindo. Com isso, de uma maneira nada nacionalista, mas incrivelmente grata e humilde, ele discorre sobre seu país, o Peru, terra dos seus pais e avós, amigos e amigas, dos seus primeiros passos como gente e escritor, terra da sua esposa. Aos poucos, o Peru vai se tornando essas coisas de fato, ao representar para o autor tudo isso. Mais incrível ainda é a gratidão dele à Espanha. Diferente do que a militância anticolonialista espera, Llosa tem a Espanha como sua segunda nacionalidade, onde cresceu como escritor e acompanhou de perto seus avanços democráticos. Enfim, é de tocar o coração a sua gratidão a todos os lugares que foram morada e inspiração para o que ele é, sonha e escreve.

Ao percorrer as memórias da sua infância e os caminhos da sua vida na leitura, escrita e teatro, Vargas Llosa nos releva nas mais belas palavras o que a literatura é: "Uma representação falsa da vida que, não obstante, nos ajuda a entendê-la melhor, a nos orientarmos pelo labirinto onde nascemos, transcorremos e morremos." Para ele, ela compensa as aflições que a vida traz e nos ajuda a decifrar o sentido da nossa existência.

Ao longo da História, o homem permitiu-se inventar contos, fábulas e mitos que ressoaram pela eternidade e deram origem à civilização, criaram a ciência, a arte e a liberdade; e esse processo ainda continua e permanecerá enquanto houver literatura. "Por isso, deve-se repetir incessantemente às novas gerações, até convencê-las: a ficção é mais do que um entretenimento, mais do que um exercício intelectual que aguça a sensibilidade e desperta o espírito crítico. É uma necessidade imprescindível para que a civilização continue existindo, renovando-se e conservando em nós o melhor do ser humano. Para que não retrocedamos à barbárie do isolamento e a vida não se reduza ao pragmatismo dos especialistas, que veem as coisas em profundidade mas ignoram o que as rodeia, precede e continua. Para que não passemos de sermos servidos pelas máquinas que inventamos a sermos seus servidores e escravos. E porque um mundo sem literatura seria um mundo sem desejos, nem ideais, nem desacatos, um mundo de autômatos privados do que faz com que o ser humano seja de fato humano: a capacidade de sair de si mesmo e transformar-se em outro, em outros, modelados com a argila de nossos sonhos."

Nada me inquieta mais que a insatisfação com a realidade limitada que temos, por isso a literatura me salva da prisão em que vivemos ao considerar o tangível o bastante. Enquanto vivo neste mundo, sempre estarei insatisfeita: quero além. A literatura é uma válvula de escape desses tormentos, até que alcancemos o que transcende a imaginação humana - a eternidade; mesmo porque ela é, de certa forma, uma pedaço de eternidade aqui na Terra.

"Por isto temos que continuar sonhando, lendo e escrevendo, a maneira mais eficaz que encontramos de aliviar nossa condição mortal, de derrotar a corrosão do tempo e de converter o impossível em possibilidade." Leio porque o mundo não sacia minha sede do que é eterno, leio porque o mundo não abarca os meus sonhos, leio porque o mundo... este mundo não me basta.

Você encontra esta obra nas livrarias Cultura, Saraiva, Travessa e afins.

A inspiração para o título do blog "Religião, amor e poesia"

Não escolhi esse título por se tratar o blog estritamente de 'religião, amor e poesia', embora seja essa a essência de tudo o que será discutido aqui e onde encontro alegria e sentido na minha vida; trata-se de um trecho da obra O Seminarista, de Bernardo Guimarães. Não é dos meus livros preferidos (ainda assim, indico!), mas isto tocou a minha alma:

"RELIGIÃO, AMOR, POESIA, eis os elementos que bastavam para encher aquela existência e torná-la a mais feliz do mundo. Eram como três anjos de asas azuis e ouro, que esvoaçavam de contínuo em torno dessa alma infantil, e arrebentavam os céus em gozos inefáveis."

*Imagem retirada do We Heart It.

Resenha: Todos os caminhos levam a Roma, de Scott e Kimberly Hahn

Minha última leitura já faz uma semana e dois dias que foi concluída, a demora para escrever algo a respeito foi culpa das provas. O que é um pouco desestimulante, pois muita coisa se perde quando não fica registrada de imediato, mas acho que consigo transmitir a essência aqui.

Este maravilhoso testemunho de conversão do casal Scott e Kimberly Hahn é uma leitura essencial para todo cristão, com controvérsias em relação ao catolicismo ou não, pois esclarece questões pertinentes como a Sola Scriptura, a Sola Fide e a devoção à Maria. O mais incrível é que a história é desenvolvida de uma maneira muito leve e intrigante, que nos chama mais a atenção para a busca pelas respostas do que para elas de fato.

Scott Hahn era de uma família nominalmente presbiteriana, sem convicções mais profundas, mas seu interesse pelo protestantismo cresceu logo na juventude, o que o levou a tornar-se um sério estudioso de teologia. No entanto, afundou-se no anti-catolicismo e sua missão já não era somente levar almas a Cristo, mas levá-las para bem longe da Igreja Católica. Em meio a isso tudo, conheceu, apaixonou-se e casou com a convicta protestante Kimberly. Ela, diferente de Scott, não odiava a Igreja Católica, apenas tinha seus pontos contrários por questão de fé mesmo. E com essa ligação espiritual e sonhos em comum, seguiram uma vida conjugal para Cristo, cada vez mais a fundo na fé reformada.

Tudo começou a mudar quando Kimberly se matriculou num seminário de ética cristã, onde ela escolheu o tema contraceptivos como objeto de estudo. Esse é um tema controverso até mesmo entre cristãos, e a visão católica é única a respeito, o que levou Kimberly a compartilhá-la com Scott, que resolveu ler o livro O controle de natalidade e a aliança matrimonial, de John Kippley. Tudo isso levou o jovem casal a encontrar a verdade de que precisavam para a vida matrimonial e abandonaram os contraceptivos para confiar na Providência Divina. Reproduzo aqui este trecho do livro com um dos argumentos que os levaram a tal decisão:

"O argumento de Kippley era que qualquer aliança tem um ato pelo qual se consuma e se renova e que o ato sexual dos conjuges é um ato de aliança. Quando a aliança matrimonial se renova, Deus utiliza-a para dar nova vida. Renovar a aliança matrimonial e usar contraceptivos para evitar uma potencial nova vida seria tanto como receber a Eucaristia para a seguir a cuspir no chão.
Kippley prosseguia dizendo que o ato conjugal demonstra de modo único o poder doador de vida do amor na aliança matrimonial. Todas as outras alianças mostram e transmitem o amor de Deus, mas só na aliança conjugal o amor é tão real e poderoso que comunica a vida.

Quando Deus fez o ser humano, homem e mulher, o primeiro mandamento que lhes deu foi o de serem fecundos e se multiplicarem. Era assim uma imagem de Deus: Pai, Filho e Espírito santo, três em um, a família divina. De maneira que quando "os dois se fazem um" na aliança matrimonial, o "um" torna-se tão real que nove meses depois podem ter que lhe dar um nome! O filho encarna a unidade da sua aliança."

Apesar de realizar o sonho de sua esposa de casar-se com um pastor presbiteriano e de continuar a levar as almas para perto de Jesus e (que ironia) longe da Igreja, as descobertas não pararam por aí: o argumento de que nos salvamos exclusivamente pela fé não se encontrava na Bíblia, nem mesmo nas Epístolas de São Paulo, caindo por terra um dos principais fundamentos do protestantismo - a sola fide. Inclusive a Bíblia nos ensina, na Epístola de Tiago 2, 24, que "o homem se justifica pelas obras, e não apenas pela fé". Outro ponto culminante dos estudos de Scott foi sobre a Eucaristia, quando ele percebeu que a comunhão significa a renovação da nossa alianca com Cristo e, pois, deveria acontecer constantemente, tal como a renovação da aliança matrimonial, levando essa conclusão à sua Igreja, que aprovou a comunhão semanal por unanimidade. Parece católico demais? Não para por aí.

O próximo "dogma" protestante a ser derrubado pelos estudos do pastor foi o Sola Scriptura. A Bíblia afirma que toda a Escritura é inspirada pelo Senhor e útil para ensinar, mas em momento algum se delega toda a inspiração divina e ainda reconhece o valor da tradição e a Igreja como pilar e fundamento da verdade. Não preciso nem ressaltar o quão impactante essa descoberta foi para Scott. A doutrina da Sola Scriptura não pode ser demonstrada com a Escritura!

Com isso, foi inevitável para Hahn buscar mais, então passou a ler cada vez mais a doutrina católica e seus grandes escritores e, à medida em que encontrava a verdade na Igreja, seu chão caía e ficava perdido, já que ele não era apenas um pastor presbiteriano, mas sempre foi um leal anti-católico. Para Kimberly, tudo isso era horrível, ela nem se interessava em ouvir as descobertas do marido e só queria que alguém o convencesse novamente da verdadeira fé reformada. E as tentativas não foram poucas, Scott conversou com vários amigos e teólogos, mas nenhum resultado. Pelo contrário, alguns o acompanharam nos estudos do catolicismo e na árdua busca pela Verdade.

Quando Kimberly já não via mais volta para o caminho que Scott adentrou, a tristeza a abateu, mas ele fez uma promessa de que, antes de 1990, não se converteria ao catolicismo. Eles já haviam começado uma família, e crianças são sempre bênção, ainda mais para um casal cristão; o casamento, no entanto, não estava indo bem, pois o laço espiritual que antes os uniu já não havia mais.

Scott foi firme na promessa e, durante o livro, até dava uma certa agonia ao senti-lo lutar contra a conversão. Mesmo indo à Missa, e apesar de sentir que Cristo o chamava à Eucaristia, ele resistiu. Até que um dia, ao descobrir que o seu amigo Gerry (aquele que primeiro tentou convencê-lo sobre a verdade do protestantismo e que acabou por segui-lo nos estudos contrários) e sua esposa abraçariam o catolicismo na Vigília Pascal de 1986, ele quis retornar à casa do Pai, conforme Deus o chamava há tempos. No entanto, a sua promessa o impediu e Kimberly o lembrou disso ao conversarem a respeito, mas Scott levantou uma questão que, para mim, foi o ponto central do livro: "tenho receio de ter chegado a um ponto no qual adiar a minha obediência seria desobediência". E então, quatro anos antes da data prometida, na Vigília Pascal de 1986, Scott Hahn recebeu o grand slam sacramental: o Batismo condicional, a Penitência, a Confirmação e a Primeira Comunhão.

Com isso, o casamento dos Hahn passou por um momento tenebroso, em que a distância espiritual entre o casal até me fez pensar que chegariam ao fim do casamento. Eles, porém, como cristãos, perseveraram e foram muito maduros e sábios. Inclusive Kimberly, mesmo profundamente triste com tudo isso, entregou a educação religiosa das crianças ao marido, ou seja, ainda confiava na importância da submissão a Deus e ao esposo de que a Bíblia falava. E em meio a todos os problemas de um casamento misto, aconteceu um aborto que levou Kimberly ao hospital, onde Scott observou brilhantemente: "Será possível que Deus nos ame tanto? Uma vez que por ti própria nunca te terias interessado em conhecer o catolicismo, talvez Ele tenha convertido a mim primeiro e me tenha feito passar por esta terrível solidão – isolado de muitos protestantes, e de tantos católicos da Universidade, a quem não interessa nada o que fiz, para não falar da solidão entre nos os dois – para te poder mostrar gradualmente a beleza da Igreja Católica, para te acolher também a ti no Seu seio, para te abençoar com os Seus sacramentos, para te dar a plenitude da fé que já possuis." E foi aqui que percebi os planos de Deus para o casal e que Ele sabia exatamente como fazer dar certo: a conversão de Scott antes e o sofrimento no casamento foram necessários para que Kimberly chegasse à verdade na Igreja Católica. É claro que ela não acreditou que tudo isso era prova do amor de Deus, sua relutância durou muitos anos, até que, na Vigília Pascal de 1990, ela foi recebida na Igreja Católica. A conversão de Scott se deu pela sua busca intelectual; a de Kimberly, pelo convencimento gradual, por parte do marido, dela mesma e de seu relacionamento com Deus.

Eu fiquei me perguntando se o casamento continuaria com as coisas como estavam. Não dá para negar que a distância espiritual acarreta muitas problemas e a religião influencia na educação dos filhos, na administração do lar, nos valores familiares etc., então é ingenuidade de quem pensa que a diferença religiosa não importa entre um casal porque só o "amor" basta. É o que dizem: "a virtude não se improvisa". As coisas não são tão simples. Mas se o próprio amor requer bases cristãs, o casal Hahn vivenciou isso muito bem, e sei que a base cristã tão sólida deles os preservou no casamento e os uniu na fé novamente, pela vontade de Deus.

O livro continua com o testemunho de unidade familiar, sob a orientação de Scott, agora que todos se encontravam em casa na Igreja Católica e com um apelo ao católicos para serem cristãos bíblicos (e vice-versa).

Enfim, a trajetória religiosa de Scott e Kimberly Hahn é emocionante, todos deveriam conhecê-la: mesmo os católicos doutos na doutrina, mesmo os não-cristãos que pouco se interessam por religião e espiritualidade e, principalmente, os cristãos protestantes, pois, de maneira clara e irrefutável, pontos muito relevantes são esclarecidos. É uma história importante, ainda, porque mostra notavelmente como, muitas vezes, lutamos contra a verdade que chega aos nossos olhos, por medo da mudança, de encarar a realidade e, principalmente, medo de admitir que sempre estivemos errados; mas nunca é tarde para deixar de resistir, Deus não desiste de nós e quem o procura com sinceridade certamente o encontrará, basta que utilizemos dos meios necessários para chegar a Ele, sejam quais forem. Os de Scott e Kimberly foram árduos, os nossos também podem ser... e que sigamos com a nossa cruz.

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